A noite

Duas mulheres na janelaBartolomé Esteban Murillo Entre sonhos inacabados,a noite segue seu cursoe assiste à personagemsobre o leito da insônia:memórias, frustrações, queixumes. A derradeira noiteespreita pela janelaos sonhos frustradosa pairar sobre apersonagem da históriaa se escrever. Insone, perscruta o relógioe calcula os minutos para que, num salto,"deixe os sonhos na cama,acorde e vista a roupade... Continuar Lendo →

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Rotina

A tranquila rotina segue seu cursonuvens passeiam insonesruídos cosmopolitasvem e vãoos astros, a bilhões de anos luz,orbitama bipolar cotação do dólar sobe e desce Pessoas nasceme morreme a tranquila rotina segue seu curso Na loira manhãcrianças sonâmbulas caminham pelo pátio da escolaApressados, os trabalhadores se consomempelo farol que se demora a abrir pelo trabalhocujas horas... Continuar Lendo →

Remember

Ventos sopram nomescuja saudade são recuerdos dos tempos idos,dos saboresque prováramos juntos. Teu nome tem saborde saudade das músicas que, de repente,harmoniosamente compõemas notas cujo adeus jamais estarána letra. Recuerdos jamais olvidados

Sibila

A tarde preguiçosaserpenteia entre seus cabelos,mecha a mecha,enquanto pensamentosse arrastam entredesejos e poesias. A tarde preguiçosamargeia mansamentecom a brisa em companhiaa bailar a valsa inaudívelecoada de palacetes seculares. A jovem displicentesuspira, anseia pelo toqueda mão espalmadasobre si. Devaneios, memórias empoeiradas de quemdesejou ser,de quem desejou,ardentemente, ter. A tarde preguiçosa serpenteia entre seus cabelos,sibila os desejos... Continuar Lendo →

Abismos

Ando cansada de mim mesma vontade de ser outra e florir florir noutras primaveras para encantar e embalar pássaros e novos gorjeios Feita de sonhos margeio a concretude abismos Feita de versos confeito histórias enveredo abismos Diante do espelho imaginário sou Penélope a tecer exasperadamente os fios de minha inacabada história Abismos entre vir a... Continuar Lendo →

Prelúdio

Um gorjeio coletivo inaugura a manhã Infantes, andorinhas, sabiás e maritacas pintam o céu com cores de plumas e cantos sob a regência da fascinação humana. Prenunciam, no Advento, as festividades do menino Salvador. Em voos rasantes e furtivos, um bem-te-vi participa da orquestra matinal. Quanto a mim, na plateia contemplativa, permaneço hipnotizada pela orquestra,... Continuar Lendo →

Efemérides*

A mosca que vos fala – não é a mesma mosca a qual costuma cair nas sopas (conforme certa música de Raul Seixas), ou fica de zunzunzum nas casas alheias  – eu, na verdade, sou uma das que gosta de observar, de vagar por aí. Aprecio muito o mundo da observância e o de narrar fatos que... Continuar Lendo →

Insone

“Acordou com o dia atrasado [...] ai que vagabunda que me saíste!, censurou-se curiosa e satisfeita” (Lispector, Clarice. Devaneio e embriaguez duma rapariga) Acordei-me com o dia demasiadamente tarde. Insone, os fantasmas e os sons da noite retiniam de modo a deixar-me inerte meditante... mediante o flashforward e o flashback do que viria a ser... Continuar Lendo →

Espelho d’água

Eivada sobre as fantasias, a menina que fui observa e perscruta a conceição dos sonhos, outrora brumosos. A menina, resiliente e arguta, toma-me pela mão e leva-me para rememorar, sonho a sonho, quem fui: amores, silêncios... Resoluta, olhos postos em mim aconselha: "colha os frutos das esperanças acalantadas pelo tempo e pelo vento.

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