Abismos

Ando cansada de mim mesma vontade de ser outra e florir florir noutras primaveras para encantar e embalar pássaros e novos gorjeios Feita de sonhos margeio a concretude abismos Feita de versos confeito histórias enveredo abismos Diante do espelho imaginário sou Penélope a tecer exasperadamente os fios de minha inacabada história Abismos entre vir a... Continuar Lendo →

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Prelúdio

Um gorjeio coletivo inaugura a manhã Infantes, andorinhas, sabiás e maritacas pintam o céu com cores de plumas e cantos sob a regência da fascinação humana. Prenunciam, no Advento, as festividades do menino Salvador. Em voos rasantes e furtivos, um bem-te-vi participa da orquestra matinal. Quanto a mim, na plateia contemplativa, permaneço hipnotizada pela orquestra,... Continuar Lendo →

Efemérides*

A mosca que vos fala – não é a mesma mosca a qual costuma cair nas sopas (conforme certa música de Raul Seixas), ou fica de zunzunzum nas casas alheias  – eu, na verdade, sou uma das que gosta de observar, de vagar por aí. Aprecio muito o mundo da observância e o de narrar fatos que... Continuar Lendo →

Insone

“Acordou com o dia atrasado [...] ai que vagabunda que me saíste!, censurou-se curiosa e satisfeita” (Lispector, Clarice. Devaneio e embriaguez duma rapariga) Acordei-me com o dia demasiadamente tarde. Insone, os fantasmas e os sons da noite retiniam de modo a deixar-me inerte meditante... mediante o flashforward e o flashback do que viria a ser... Continuar Lendo →

Espelho d’água

Eivada sobre as fantasias, a menina que fui observa e perscruta a conceição dos sonhos, outrora brumosos. A menina, resiliente e arguta, toma-me pela mão e leva-me para rememorar, sonho a sonho, quem fui: amores, silêncios... Resoluta, olhos postos em mim aconselha: "colha os frutos das esperanças acalantadas pelo tempo e pelo vento.

Lembrança

"Envelhecer, no fundo, é apenas deixar de temer o passado" Stefan Zweig (24 horas na vida de uma mulher) A memória olfativa da saudade Rememora o som dos passos infantes sobre a grama Saudade?

Memória

Há um ano, houve uma medida, uma análise acerca da trajetória minha. Onde estive? Talvez, uma inexatidão; talvez acuada e encolhida na caverna de meu entendimento. Há um ano, medo minha vida pela métrica e padrão alheios. Forjei uma balança imaginária para visualizar para que lado penderia. Pintei meus sonhos intáteis. Sorvi meus desejos com... Continuar Lendo →

Nos tempos da bonança

Emanuel era um brasileiro que muitos desconheciam a origem, dos poucos, ou único, dos chamados de bem. Uns diziam que era judeu, outros, um boa praça, uns tais ainda, afirmavam-no ser do Oriente Médio, ou do litoral, pois tinha uma pele bronzeada como os do deserto ou os que residem mesmo no litoral. Carregava consigo um... Continuar Lendo →

Da rotina

Sorrateira, a bruma dos dias meus invade-me qual amanhecer pelas frestas da janela, enquanto, pausadamente, escovo meus cabelos no rito matinal. Serei eu no espelho? Perdida, vaga, inerte... hipnotizava pelo tique-taque do chronos da rotina. Dói-me a perna, dói-me a alma pelo vir a ser O chilreio longínquo, o sol me desperta da inércia O... Continuar Lendo →

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